Medicina e matemática

[…] Medicina, Aristóteles observa, “tem o saudável como seu assunto”, mas isso não significa que existem itens saudáveis separados dos objetos perceptíveis — pelo contrário, cientistas médicos tratam de objetos perceptíveis ordinários (tratam de corpos de animais) e não de algo à parte dos corpos perceptíveis ordinários. Eles tratam de corpos perceptíveis enquanto saudáveis (ou, talvez melhor, enquanto sujeitos à saúde e à doença): o objeto de atenção deles é um aspecto dos corpos físicos, mas a ontologia que eles pressupõe não requer quaisquer outros itens substanciais além desses corpos físicos. Se você estuda Fs enquanto G, então Fs formam o domínio de sua pesquisa, e a ontologia pressuposta por qualquer pesquisa constitui–se precisamente dos itens de seu domínio.

Isso também ocorre com a matemática: as ciências matemáticas tratam de certos aspectos dos objetos perceptíveis — de seu aspecto contável, no caso da aritmética — e um matemático não pressupõe uma ontologia que requer quaisquer outros itens substanciais. Assim, a suposta analogia entre medicina e matemática revela as reais pressuposições da matemática; e, desde que os objetos da matemática são simplesmente aqueles objetos cuja existência é pressuposta pela matemática, a conclusão aristotélica segue‐se. […] [p. 85–86]

JONATHAN BARNES. Entidades. p. 77–89. In: Metafísica. Tradução de Clayton Alysson Oliveira Lima e Sílvio César Zákhia Marani. cap. 3. p. 66–108. In: The Cambridge Companion to Aristotle. Cambridge: C.U.P., 1995.

One Comment

  1. VALDSON HIAGO DA SIL
    Posted segunda-feira, 15/setembro/2008 at 12:35 pm | Permalink

    MUITO LOUCO AI PODES QER


Comente

%d blogueiros gostam disto: