A realidade e a ficção

Avozinha Garoa vai cantando
Suas lindas histórias, à lareira.
“Era uma vez… Um dia… Eis senão quando…”
Até parece que a cidade inteira

Sob a garoa adormeceu sonhando…
Nisto, um rumor de rodas em carreira…
Clarins, ao longe… (É o Rei que anda buscando
O pezinho da Gata Borralheira!)

Cerro os olhos, a tarde cai, macia…
Aberto em meio, o livro inda não lido
Inutilmente sobre os joelhos pousa…

E a chuva um’outra história principia,
Para embalar meu coração dorido
Que está pensando, sempre, em outra cousa…

MÁRIO QUINTANA. VI. p. 12. In: A rua dos cataventos. p. 7–23. In: Rua dos cataventos & outros poemas. Porto Alegre: L&PM, 2006.

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