Aos trabalhadores

Na minha rua há um menininho doente.
Enquanto os outros partem para a escola,
Junto à janela, sonhadoramente,
Ele ouve o sapateiro bater sola.

Ouvem também o carpinteiro, em frente,
Que uma canção napolitana engrola.
E pouco a pouco, gradativamente,
O sofrimento que ele tem se evola…

Mas nesta rua há um operário triste:
Não canta nada na manhã sonora
E o menino nem sonha que ele existe.

Ele trabalha silenciosamente…
E está compondo este soneto agora,
Pra alminha boa do menino doente…

MÁRIO QUINTANA. V. p. 11. In: A rua dos cataventos. p. 7–23. In: Rua dos cataventos & outros poemas. Porto Alegre: L&PM, 2006.

2 Comments

  1. Posted segunda-feira, 3/março/2008 at 9:31 pm | Permalink

    lindo.. deu até arrepio.

  2. malebria
    Posted terça-feira, 4/março/2008 at 12:58 am | Permalink

    O Quintana dá arrepio o tempo todo…


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