Respostas aos comentários da Patrícia a “Sobre a academia”

Ainda nao terminei de ler o artigo do Castiel, mas sinceramente, não vou levar o cara a sério.Comecei a ler o texto e ele fala mal da quantidade de artigos lançados pelos autores. Eu achei 32 artigos dele na internet, sendo que os 5 ultimos foram escritos no ultimo ano.

Argumentum ad hominem.

Além disso, ele não critica que autores escrevam muitos artigos.

Outra coisa que ele mete o pau, é a autocitação, coisa que ele faz nesse artigo aí.

Ele também não critica que os autores citem a si mesmos. Ele somente julga que essa coisas são condenáveis quando são feitas meramente para aumentar as pontuações.

ele diz das fragmentações de um artigo pra conseguir numeros. Vc viu a quantidade de artigos que ele escreveu falando em epidemiologia, problemas que a biologia molecular pode trazer, etc?

Ele está criticando a análise meramente numérica dos artigos, justamente o que você está fazendo para criticá‐lo. É como se alguém criticasse o racismo e você falar: ele não tem moral para falar disso porque ele é negro. Você só teria argumentos para criticar o número de publicações dele sobre o mesmo assunto se as lesse e concluísse que elas não são individualmente relevantes e poderiam ser publicadas todas juntas. E só poderia criticar a referência que ele faz a ele mesmo se ela não pudesse mostrar que ela não acrescenta nada ao artigo.

Lógico que qq coisa que vc fizer, escrever ou falar vc vai fazer de acordo com o cliente. Se quero que a pessoa se interesse pelo assunto vou conversar de modo que ela entenda e se sinta tentada a querer continuar falando do assunto.

Você está misturando capacidade de se expressar e de se fazer entendido com a relação de venda.

Um exemplo, tô com 2 casos de leishmaniose humana aqui. Fui na casa da mulher conversar com ela, falar da doença e outras medidas que vou ter que tomar na casa dela pra impedir a proliferação do mosquito que transmite a doença. Ia falar que o protozoario do genero ‘x’ causa aquela doença e sei lá mais o que??? Pra que usar termos técnicos se ela nao entende??? Se eu quero que ela aceite as mudanças que eu vou fazer, preciso convencela que eu estou certa, mas pra isso, tenho que usar um palavriado que ela entenda!!! Tenho que vender a minha verdade pra ela!

Usando seu próprio exemplo, o que ele critica não é que você explique bem para ela, mas que desenvolva uma forma de ação e a convença de usá‐la simplesmente com o objetivo de aumentar seu status.

O que os pesquisdores fazem? Pesquisam…

Se eles não publicam, o que adiantaria pesquisar??? O que adianta manter um conhecimento preso? Sem publicação?

O conhecimento deve ser publicado, da maneira mais simples e que atinja o maior número de pessoas possível. E não, isso não é em uma revista que pode cobrar para que as pessoas leiam seu artigo, ou pode recusar que ele seja publicado arbitrariamente.

Aí vc diria “Então não pulbica em uma revista científica”, manter um resultado em um local, por exemplo uma pagina na internet, onde ninguem sabe que existe e que nao vai conseguir achar é o mesmo que nao disponibilizar, pelo mesnos pra mim.

Você pode fazer todas as coisas, colocar na internet, colar na porta do seu laboratório, mandar para todas as revistas que conhecer, etc. É bem diferente de ficar escolhendo qual revista está mais na moda e vai me dar mais status, “porque eu não quero meu artigo dividindo uma revista com um artigo ruim”.

Aí uma outra vez vc disse “Vai publicando aos pouquinhos pra permitir que outras pessoas vejam e possam continuar com sua pesquisa”, aí posso acabar liberando artigos com dados errados, pra mim, tem que publicar o todo.

Não sei porque poderiam ser liberados dados errados, nem vejo muito problema nisso também. Erros acontecem quando a coisa está pronta da mesma forma.

E se caso eu publicar só um poquinho, teria vários artigos que, na verdade, seriam um só, e conseguiria números. Coisa que esse autor que vc parece ter gostado tanto, Castiel, vai contra.

Mais uma vez, ele não é contra dividir um artigo em vários para publicá‐lo. Ele é contra fazer isso para aumentar a contagem de pontos. Se há um objetivo nisso, não há problemas.

1- eu nao vou pesquisar sobre um assunto que nao sei, vc vai? entao nao vejo pq o pesquisador nao pode fazer busacas de de literatura;

2- manter o bom relacionamento com outros é uma questao social e nao só no campo da pesquisa. Lembra da India e da Mercedes? Pra que elas iriam gastar anos implementando, comprando equipamentos, reagentes, etc, pra utilizar apenas uma vez? No nosso dia a dia a gente nao procura o vizinho ou amigo ou sei lá o que e pede as coisas? Pq na pesquisa nao pode ser assim?

3- pra pesquisar preciso de dinheiro. e nada melhor do que o cara que irá desenvolver a pesquisa e que mais sabe sobre o assunto fazer o pedido de financiamento;

4- eu vou investir numa pesquisa que já foi realizada??? O objetivo da pesquisa é conseguir algo novo. Entao, é claroq que eu tenho que fazer revisões pra descobrir o que foi ou nao descoberto sobre o assunto.

Tá, fazer isso tudo é um saco? É, e sinceramente, faz a gente perder um tempao. Mas pra sair uma coisa bem feita, é melhor o cara que mais entende no assunto fazer.

Ele não critica nenhuma dessas atividades. Nesse trecho ele está simplesmente mostrando como a imagem do pesquisador mudou nos últimos tempos.

Pelo amor de Deus!!!! Até o idioma o cara critica

Ele não critica a língua das publicações, ele apenas cita.

Tá, entao vamos publicar em portugues. Quantos tipos de lingua portugesa existem? Brasileira, africana, de portugual. Aí teriam artigos com portugues brasileiro, de portugal e africana e sei lá mais de onde. Eu mal entendo o portugues de portugal.

Que eu saiba, o ingles australiano, canadense, americano, britanico e sei lá mais de onde escrevem do mesmo jeito.

Pra que complicar e pedir pro mundo inteiro escrever em uma lingua com sei lá qts tempos verbais se podemos usar uma lingua mais facil?!

Você deveria conhecer melhor o português e o inglês para fazer afirmativas fortes como essa. Eu não tenho tanto conhecimento assim das línguas, mas sei que inglês é a língua que tem a maior extensão vocabular justamente por ser falada em diversos lugares. Certamente deve haver uma pesquisa muito grande a respeito do aprendizado de línguas, e eu sinceramente duvido que de todas as línguas, naturais e artificais, inglês seja a mais fácil de se aprender. Sem contar que é óbvio que existem questões de domínio econômico, político, e principalmente cultural por trás dessa hegemonia anglófona. Mas isso não tem nada a ver com o texto e com a discussão.

Qd eu faço uma busca na internet sobre um determinado asunto, vou, preferencialmente, olhar os artigos dos caras que eu conheço, já li. Isso acaba aumentando a citação de alguns caras e deixando outros sem citações. Isso é óbvio!

Ele não critica o fato de alguns autores terem mais citações que outros. Ele critica a disputa para ter mais citações e o uso de técnicas injustas para tal.

O pesquisador A pesquisa hábitos de uma ave na serra tal. O pesquisador B trabalha olhando quais sao as substancias liberados pelo homem numa situação especifica.

A só precisa de um binóculo, uma cabana, papel, caneta e gravador. B precisa de fazer elisa pra 10 tipos diferentes de substancias. Cada Elisa custa 100 mil reais. Pra qual pesquisador vc vai dar mais dinheiro?

Eu não vejo a mínima relação entre esse exemplo e o que é tratado no artigo.

O pesquisador C e D trabalham com a mesma coisa. C publica 1 artigo por ano sobre o assunto na revista Y. D publica 10 nessa mesma revista. Quem parece investir mais? Quem merece receber mais financiamento?

Quem parece investir mais? O D. Mas é justamente essa aparência que não é suficiente para determinar. Ele parece investir mais, o que pode ou não ser verdade.

Quem merece receber mais financiamento? Quem precisar de mais dinheiro e quem estiver conseguindo resultados mais relevantes. O que pode ser qualquer um dos dois.

2 Comments

  1. Rafael Almeida
    Posted quinta-feira, 13/março/2008 at 6:06 pm | Permalink

    O cara pode publicar em varios lugares, alem de periodicos. Como de fato muitos fazem. Entretanto, eh muito importante que se publique em periodicos porque eles funcionam como uma especie de filtro. Ao inves de sair lendo tudo quando eh blog na terra (que voce nunca vai ter tempo de ler), voce pode se dedicar a ler os artigos de periodicos que sao importantes. Assim voce tera filtrado bastante os artigos que o pessoal escreve.

    Pode ate existir artigos fora de periodicos que seja tao bom ou ate melhor, mas vale a pena ir atras deles? De toda forma, eu gosto quando o artigo eh disponibilizado de graca na internet deopis de publicado em algum lugar. Mas eu entendo como a arrecadacao de dinheiro eh importante para manutencao do periodico.

    Com relacao a lingua, acho que jah expus todas minhas ideias em outros comentarios.

    Com relacao a publicar muito para ganhar pontos, etc nao eh muito legal, mas eh dificil de impedir as pessoas de agirem de forma egoista. Por isso que periodicos sao importantes, eles podem recusar um artigo se verem que ele eh apenas um pedaco de um grande projeto que, por si soh, nao representa muita coisa. Isso permite que as pessoas mais preocupadas com a ciencia que com o status dos outros se concentre nso artigos melores.

    Eh claro, o esquema de pontuacao da CNPq nao parece ser perfeito, pelos textos que voce me mostrou, mas o problema parece menor que o pessoal ai fala. Eh mais uma questao de ajustar a pontuacao de forma a privilegiar mais as pessoas que tenham ciencia de verdade para fazer e publicar.

    Entretanto estou apenas agora entrando no meio academico e, portanto, conheco bem pouco ainda.

  2. malebria
    Posted quinta-feira, 13/março/2008 at 9:43 pm | Permalink

    Toda a estrutura do sistema é montada para que as pessoas publiquem mais quantidade e menos qualidade, apenas para conseguir status e mais verbas. Não é um sistema bem estabelecido que infelizmente as pessoas fazem um mal uso.

    E eu não entendo que o periódico faça da proibição ao seu conteúdo um meio de sustentação. Na verdade até entendo que ele faça isso, o que não entendo é as pessoas realmente aceitarem isso e lerem ou publicarem nesse periódico.

    Os periódicos não selecionam os melhores artigos. Até porque é uma tarefa bastante difícil definir qual conhecimento é melhor do que o outro. Não entrando nesse mérito, ele poderia simplesmente ser um catálogo, mostrando uma lista dos melhores artigos publicados com o link para o endereço onde ele está disponível. Mas a função de catalogação eu acho completamente secundária de um ponto de vista mais amplo: o importante é que os projetos sejam feitos e publicados, muito mais do que isso.

    Agora, usar a presença nesses catálogos como argumento para adquirir status só pode ser ridículo.

    Eu não tenho uma experiência tão vasta com o meio acadêmico, mas não acho que se eu tivesse eu mudaria minhas concepções. Acho que basta entender a estrutura em que o sistema está estabelecido, não é necessário se prender aos detalhes.


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